sábado, 22 de maio de 2010

Sociedade do espetáculo!


 
Pesquisando sobre o tema, “sociedade do espetáculo”, encontrei muitas falas de Feuerbach um teólogo humanista e filosofo alemão. Segue na íntegra suas reflexões:
"No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso."
"...a realidade surge no espetáculo, e o espetáculo no real. Esta alienação recíproca é a essência e o sustento da sociedade existente.
Onde o mundo real se converte em simples imagens, estas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes típicas de um comportamento hipnótico.
O consumidor real torna-se um consumidor de ilusões.
A mercadoria é esta ilusão efetivamente real, e o espetáculo a sua manifestação geral.
O homem alienado daquilo que produz, mesmo criando os detalhes do seu mundo, está separado dele. Quanto mais sua vida se transforma em mercadoria, mais se separa dela.
O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada.
A prática social, diante da qual surge o espetáculo autônomo, é também a totalidade real que contém o espetáculo.
Assim, toda a realidade individual se tornou social e diretamente dependente do poderio social obtido. Somente naquilo que ela não é, lhe é permitido aparecer.
Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.”
As palavras de Feuerbach são muito assertivas na descrição do que vivemos hoje. O espetáculo das propagandas que nos fazem desejar o que não precisamos. Tornar heróis sujeitos com uma história pouco heróica e outros. A alienção acontece aos poucos. O fundo do posso é não sabermos mais quem somos e o que de fato importa em nossa vida. Aos poucos perdemos a capacidade amar e desejar verdadeiramente. As fotografias que estão ilustrando o texto falam tudo.


FEUERBACH, Ludowig. A essência do cristianismo. Lisboa: fundação Caloute Gulbenkian, 2001.


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